Câncer de mama

A discussão sobre a preservação da fertilidade do paciente com neoplasia hormônio-dependente é controversa, pois não é uma questão clara e há opiniões conflitantes. O câncer de mama é um modelo clássico de um tumor maligno hormônio-dependente. Alguns especialistas acreditam que às mulheres com câncer de mama não deve ser oferecido criopreservação de oócitos ou embriões antes da quimioterapia uma vez que os fármacos utilizados para a indução da ovulação, como parte do tratamento de FIV, aumentam os níveis de hormonios sexuais endógenos a um nível acima do normal (suprafisiológico). Surgiram preocupações, pelo menos teoricamente, em relação ao potencial para a estimulação do crescimento de células malignas de um paciente com um tumor com sensibilidade hormonal. Por isso, alguns oncologistas não recomendam esquemas tradicionais de estimulação ovariana, pois os níveis acentuadamente elevados de estrogêneo, ainda que transitórios, podem induzir a proliferação de células câncerígenas de mama. Embora o recrutamento de oócitos e embriões para congelação possa ser realizado em ciclos naturais nestes pacientes, a produção de embriões é frequentemente muito baixa. Moduladores seletivos dos receptores de estrogênio – tais como tamoxifeno e inibidores de aromatase, como o letrozole – para compensar a breve hiperestrogenemia resultante da indução da ovulação são uma boa opção. Para pacientes com doenças malignas hormônio dependentes, o especialista em reprodução humana deve trabalhar em colaboração com o médico oncologista para que o breve período de hiperestrogenemia não cause aumento do tumor ou outros danos.

Enquanto o debate sobre o uso de terapia de indução da ovulação em pacientes com câncer de mama evolui, a opção para criopreservação de tecido ovariano permanece e pode ser considerada ideal para estes pacientes, pois proporciona a oportunidade de fertilidade futura, sem os riscos potenciais de um ambiente hormonal sérico elevado e possibilidade de agravar o quadro oncológico existente.

Protocolo com Letrozole

O Letrozole (5 mg) é iniciado no dia dois ou dia três do ciclo menstrual, e injeções diárias de FSH (150-300 UI) são adicionadas dois dia depois, até o dia do agonista do GnRH (Lupron ou Gonapeptyl) que, neste caso, substitui o hCG. Após a coleta dos óvulos, o Letrozole é reiniciado para diminuir o nível do estradiol.


Figura 7

Protocolo com Tamoxifeno

O Tamoxifen (60 mg) é iniciado no dia dois ou dia três do ciclo menstrual, e injeções diárias de FSH (150-300 UI) são adicionadas dois dia depois, até o dia do agonista do GnRH (Lupron ou Gonapeptyl) que, neste caso, substitui o hCG. Após a coleta dos óvulos, o Tamoxifen é reiniciado para diminuir o nível do estradiol.

Figura 8

Figura 8