Criopreservação de fragmentos de ovário

Na criopreservação de tecido ovariano remove-se cirurgicamente, por videolaparoscopia, fragmentos da camada cortical do ovário (camada externa do ovário), que contém os folículos primordiais. Este tecido é congelado permanecendo assim até o momento adequado para ser reimplantado nas regiões pélvica, leito peritoneal, ligamento infundíbulo sobre o outro ovário, perto das trompas (tópico) ou em locais diferentes como parede abdominal ou braço (heterotópico)). Não existe um período pré-determinado após o reimplante mas considera-se que após 20 semanas os sintomas de menopausa desaparecem, os folículos começam a ser visíveis, diminuem os níveis de FSH/LH e retornam as menstruações. É possível realizar vários reimplantes (seis a oito fragmentos por vez). Após isso, o ovário tem função normal por até três anos, mas o tempo de duração dos transplantes é limitado (seis meses a sete anos) (C. Andersen – ESHRE – LYON 2007, Bedawy e col. Human Reproduction 2008; 23: 2709). Quando a gravidez não ocorrer naturalmente, são necessários medicamentos para indução da ovulação usados habitualmente nos tratamentos de fertilização in vitro. A criopreservação de fragmentos de ovário é uma opção que ainda oferece pequenas taxas de sucesso, mas pode ser indicada quando não houver uma alternativa mais adequada. Discute-se ainda a possibilidade de o material transplantado, em alguns casos, trazer micrometástases do tumor original, mas tudo vai depender do tumor que a paciente apresenta (Quadro EXEMPLOS DE RISCO DE CÂNCER E METÁSTASE OVARIANA ). O reimplante dos fragmentos de ovário poderá ser ainda Heterólogo (chamados Xenotransplantes), quando o implante for realizado em um animal hospedeiro com subsequente maturação e recuperação de oócitos. Entretanto, ainda não existem casos descritos por esta técnica. Podem ser indicados em pacientes com contraindicação para a terapia hormonal.

O congelamento de todo o ovário é uma técnica que permanece em estudos, por isso ainda não deve ser oferecida às pacientes, mas pode ser uma ótima alternativa em crianças que ainda não atingiram a puberdade e por isto não têm ainda óvulos para serem congelados, e em pacientes que não podem ser submetidos à indução da ovulação com hormônios. Essas técnicas ainda são consideradas por alguns como experimentais.

Figura 10

Figura 11