Criopreservação de oócitos(óvulos)

O primeiro caso de gravidez com óvulos congelados foi descrito por Chen em 1986, mas a técnica foi aprimorada por Porcú, em 1997, usando a técnica de congelamento lento; posteriormente, Kuwayama, em 2005, aprimorou-a com a técnica de vitrificação, que ainda foi adaptada por G.D. Smith. É necessário estímulo hormonal para multiplicação e maturação dos óvulos, a retirada por punção guiada por ultrassom transvaginal e a posterior vitrificação para, no futuro, no momento adequado, serem fertilizados com os espermatozoides do parceiro. Uma condição para que isso seja possível é a menina já ter tido a menarca (primeira menstruação), caso contrário, os ovários não irão responder ao estímulo e não produzirão óvulos para serem coletados. Esse processo leva de 2 a 6 semanas para ser concluído. Os óvulos então são mergulhados em uma solução e imersos em nitrogênio líquido. É uma técnica muito importante por oferecer bons resultados de gravidez futura. Tem como vantagem, em relação aos embriões, o fato de serem células, e por isto, se não forem mais desejados, poderão ser descartados. A paciente deverá ser submetida a um tratamento de indução da ovulação semelhante ao da fertilização in vitro com a retirada dos óvulos e posterior congelamento (veja no Capítulo 7). Nestes casos, existem duas possibilidades com o mesmo fim. Se o tumor que a paciente tem necessitar de quimioterapia e puder esperar três a cinco semanas para o início do tratamento oncológico, receberá medicamentos para a estimulação ovariana para que haja um número maior de óvulos a serem vitrificados, pois um número maior garante melhores resultados no futuro. O tipo de medicação vai depender do tumor ser sensível ou não ao hormônio estrogênio, que poderá se elevar neste tipo de tratamento e piorar a evolução da doença. Entretanto, é importante saber que para estes casos existem estratégias adequadas para indução da ovulação, que encurtam o período de indução e exposição do tumor a este hormônio. Mas, se não puder receber os hormônios convencionais, poderão ser utilizadas outras alternativas que geram um número menor de óvulos, ou atéum ciclo natural sem remédios. Em alguns casos específicos, os óvulos poderão ser maturados no laboratório por uma técnica especial (IVM – Maturação in Vitro) para posteriormente serem congelados Desta maneira diminui-se ainda mais o tempo de exposição ao estrogênio. As meninas peri-menarca (poucos meses após a primeira menstruação) necessitam de um protocolo especial (Figura-6). A vantagem desta técnica quando comparada à criopreservação de embriões é o fato de os óvulos pertencerem à mulher, evitando assim batalhas judiciais em casos de separação ou falecimento do companheiro. A taxa de gravidez está ao redor de 40%, podendo alcançar 50%.