Decidindo a Melhor Estratégia

Decidindo a estratégia para a preservação da fertilidade na mulher

Todos os pacientes devem ser orientados e assinar um consentimento informado e, se quiserem, têm o direito de se recusar a atrasar o seu próprio tratamento oncológico em detrimento da fertilização in vitro e de decidir se aceitam o método oferecido. Os pacientes devem ser amplamente avisados de que a criopreservação de embriões é um método estabelecido de preservação da fertilidade e que a criopreservação de ovário é ainda considerada por alguns como experimental. Esclarecer as pacientes e informá-las sobre os métodos evita que a escolha por realizar a fertilização in vitro seja feita simplesmente por desconhecer os outros métodos.

Qualquer paciente que tem risco de falência ovariana precoce por tratamento oncológico deve ser orientada sobre a preservação da fertilidade. Embora a paciente não sofra falência ovariana imediata, há uma mudança em sua vida reprodutiva de tal forma que a sua capacidade de ter seus próprios filhos genéticos pode acabar por volta de seus 30 anos, em vez dos 40 anos, e esse é um fator importante, que pode mudar significativamente a gama de opções e a qualidade de vida. A prática atual das técnicas de reprodução humana permite que mulheres saudáveis de até 50 anos recebam seus própios gametas congelados.

A sobrevida estimada de longo prazo do paciente é um item que não deve ser utilizado como critério, uma vez que é difícil de prever, pois as pessoas podem responder diferentemente ao mesmo tratamento. A análise ética não produziu argumentos para usar o tempo de sobrevivência dos pais ou o risco de recorrência como critério para restringir o acesso à preservação da fertilidade.

O consentimento informado de ambos os pacientes adultos e pediátricos devem estar em conformidade com os protocolos. O menor de idade que é capaz de entender o procedimento apresentado deve dar o seu consentimento, o processo não pode ser feito com o consentimento apenas dos pais. Se o paciente é muito jovem para dar assentimento, o procedimento não pode representar mais do que o mínimo de risco para o paciente, e seus benefícios devem ser claros. Tanto no caso de adultos como de crianças, a cirurgia não pode representar um risco significativo segundo o julgamento da equipe médica, e os riscos devem ser claramente explicados ao paciente no processo de consentimento. Os critérios são os mesmos que para outros procedimentos cirúrgicos eletivos de invasão e duração equivalente.

Avaliação inicial – Risco de Metástase – Envolvimento ovariano

Embora a maioria dos cânceres não leve a metástases para o ovário, alguns deles, como as leucemias, podem causar este tipo de envolvimento, o que pode ser grave. O neuroblastoma, por exemplo, apresenta grandes chances de causar este mal, enquanto o câncer de mama tem baixo risco de metástase ovariana (tabela 1), bem como, o tumor de Wilms e o Sarcoma de Ewing (18). No câncer de colo uterino de células escamosas, o grau de envolvimento ovariano é inferior a 0,2% (19). Independentemente do risco previamente conhecido das chances de metástase ovariana, os fragmentos de ovários que serão congelados devem ter amostras para serem examinadas e confirmarem diagnóstico da ausência de células malignas.

Figura 13

Estratégias

Existem várias opções para a preservação da fertilidade em mulheres com câncer. A estratégia a ser escolhida vai depender da idade da paciente, do tempo disponível para que as medidas possam ser tomadas sem atrapalhar o sucesso do tratamento oncológico e do tipo de câncer. O esquema a seguir ajuda a encontrar a melhor opção para a mulher:


Figura 14